Os
50 Contos do Vigário
Quando
a esmola é demais o santo desconfia? Nem sempre. É cada
dia mais difícil achar alguém que não tenha caído
pelo menos alguma vez em um conto-do-vigário. Existem dezenas
de golpes sendo aplicados na praça e o número de vítimas
aumenta a cada ano. Os lesados poderiam ser em maior número se
as pessoas não tivessem vergonha de registrar o caso em uma delegacia.
Não
passa um dia sem que as delegacias registrem pelo menos um novo golpe.
Muitas vezes, os contos antigos retornam com nova roupagem, como os
que estão sendo praticados com a ajuda da tecnologia. Antigamente,
bastava uma boa lábia para ludibriar alguém, agora, os
bandidos usam celular, computador, internet, fax, anúncios classificados".
Na
maioria das vezes, o que faz um crime desses dar certo é o fato
de muita gente querer se dar bem com um negócio da China. Ou
é por ganância ou por ingenuidade. Alguns são fraudes
cometidas para perpetrar um crime em seguida. Um dos golpes mais antigos,
aplicado sobretudo em comerciantes, é o
do dinheiro falso. No mais recente, divulgado semana passada, estelionatários
usam o nome do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para tirar
dinheiro de parentes de aposentados recém-falecidos. Esse é
um dos 50 golpes aqui apresentados.
1
- Seguro do falecido - O golpe foi denunciado na semana passada. Após
a morte de um aposentado, os malandros procuram algum parente para dizer
que a pessoa tem direito a receber um determinado valor do INSS, como
se fosse um seguro de vida. Prometem liberar o dinheiro mediante comissão.
Depois, depositam um cheque roubado na conta da vítima e pedem
a ela para consultar o saldo. Nesse momento, o depósito aparece
como "valor bloqueado". Então exigem o pagamento da
comissão para desbloqueá-lo. Recebem o dinheiro e somem.
2
- Empréstimo - O golpista anuncia nos classificados de jornais
empréstimos de R$ 10 mil a R$ 200 mil, a juros baixos e com parcelamento
a longo prazo. Sem fiador. O interessado liga para o telefone anunciado,
geralmente um celular pré-pago, sem registro, ou mesmo roubado.
Para ter liberado o
dinheiro, o cliente precisa apenas depositar uma quantia em uma conta
corrente, sob o pretexto de pagar as despesas bancárias. Dançou.
Uma vez feito o depósito, o vigarista some e dificilmente a polícia
consegue localizá-lo porque a conta bancária, claro, também
é aberta com documentos falsos ou roubados.
3
- Falso mago - O malandro se faz passar por mago e anuncia seus serviços
em revistas e jornais. Quando o cliente liga, ele pede o depósito
de uma quantia para poder marcar a consulta, que nunca é realizada.
Nessa operação, o salafrário coleta várias
informações do cliente e mente ao dizer que colabora com
uma entidade de crianças carentes. O segundo passo do golpe é
pior. O cliente lesado recebe, um tempo depois, uma carta avisando que
ele teria sido sorteado e ganhado R$ 10 mil. Só que, para receber
a grana, precisa depositar 1% do valor do prêmio.
4
- Corrida paga com cheque - Cuidado ao emitir cheques em táxi.
Você costuma pagar corridas de taxi com cheque? Não há
problema nisso, mas evite usar a caneta que o motorista lhe oferecer.
Pode ser um golpe. É aplicado por motoristas de táxi desonestos.
O passageiro tenta pagar o que deve com dinheiro, o taxista diz que
não tem troco e sugere que a corrida seja paga com cheque. Gentil,
ele oferece uma caneta para a pessoa preencher a folha. Na pressa de
sair, o passageiro não percebe que se trata de uma daquelas canetas
cuja tinta porosa sai com uma solução química.
E, quando o cheque cai na conta, o susto: o valor foi alterado e a corrida
de R$ 10 virou R$ 100, de R$ 50 virou R$ 500, por exemplo.
5
- O golpe do seguro - Todo automóvel tem um seguro obrigatório
por danos pessoais (DPVAT), para indenizar a família das vítimas
de acidentes. O golpe consiste em falsificar o boletim de ocorrência,
o laudo médico, o atestado de óbito e os documentos de
carros envolvidos num acidente, para receber o seguro.
6
- Carro novo - Um anúncio promete um carro novo com preço
abaixo da tabela. As condições de pagamento são
irresistíveis e o golpe é feito por intermédio
de um telefone celular (sempre ele). O estelionatário se passa
por empregado de uma montadora e dá um telefone falso da empresa,
no qual atende uma secretária eletrônica como se fosse
um escritório. O interessado recebe um documento (falso) por
fax com o logotipo da empresa e as especificações do veículo
e cobra um depósito urgente para garantir o negócio da
China. Depois que o dinheiro entra na conta, o malandro desaparece.
7
- Aplicação financeira - Acontece, em geral, às
sextas-feiras. Uma moça simpática telefona avisando que
você foi premiado em um sorteio de uma aplicação
bancária. Ela diz que pode transferir o dinheiro do prêmio
para a sua conta. Basta confirmar alguns dados. Sem perceber, no meio
de um longo questionário, você passa também a senha
bancária, que os bandidos usam para sacar dinheiro da sua conta.
8
- Dinheiro falso - Notas de 10, 50 e 100 reais são as mais falsificadas
no Brasil. Preste atenção no tipo de papel e se há
borrões de impressão. Ter marca d`água é
garantia de valor.
9
- Falso site - Estelionatários cibernéticos criam um site
parecido com o dos bancos. Sem perceber a farsa, você digita seus
dados e a senha. E depois eles fazem a festa.
10
- O Truque do falso médico - O estelionatário Paulo Roberto
de Sousa Botelho foi preso no início de setembro, acusado de
roubar dezenas de câmeras de filmagens. Ele se passava por médico,
ligava para as empresas especializadas, contratava o serviço
com a desculpa que faria uma cirurgia ou parto inédito e que,
por isso, gostaria de registrar o fato. Botelho marcava o encontro em
estacionamentos de hospitais. Quando a equipe de filmagem chegava ele
combinava o serviço para o dia seguinte e o preço e dizia
que precisava encaminhar os equipamentos na mesma hora para a sala de
esterilização. Deixava uma maleta próxima a um
carro que dizia ser seu e pedia para que os funcionários da filmadora
tomassem conta até que voltasse. Só que desaparecia com
os equipamentos.
11
- Seus números em troca de um cartão - A vítima
recebe uma ligação de um falso funcionário do banco
dizendo que precisa atualizar dados para abrir uma conta especial ou
fornecer novo cartão de crédito. Depois, vai até
a agência e tenta chegar à senha, começando pela
data do nascimento do cliente ou pelos números de telefones ou
documentos fornecidos.
12
- Cartão clonado por chupa-cabra - Outro perigo é ter
o cartão de crédito ou de débito automático
clonado naquelas maquininhas falsas de leitura magnética, as
populares chupa-cabras que, com a ajuda de um chip grava os dados de
cartões do cartão. Para a duplicação é
um passo.
13
- Clonagem de telefone celular - Os larápios captam, com uso
de equipamentos sofisticados, o número de série eletrônico
de um telefone em uso e copiam os dados para outro aparelho. Dessa forma,
passam a existir dois telefones com a mesma identificação.
A empresa operadora do serviço consegue perceber o problema quando
começam a aparecer duas ligações simultâneas
do mesmo assinante. E o valor da conta, claro, vai para o espaço.
14
- Telefone sem conta - O golpista, nesse caso, conta com a ajuda de
um cúmplice funcionário de uma companhia telefônica.
São habilitados vários aparelhos sem que a conta apareça
no sistema de faturamento. O usuário utiliza a linha, mas não
paga a conta. Nem chega a recebê-la. Com documentos falsos ou
de pessoas mortas, os golpistas adquirem os telefones e os revendem
a pessoas que jamais pagam a conta. E os lesados, nesse caso, são
as operadoras.
15
- Lucro falso de cotas e ações - Um homem sério
e educado telefona para sua residência avisando que você
ganhou um dinheiro graças à venda de ações
ou de cotas de um clube de lazer - a polícia acredita que eles
conseguem o nome com ajuda de funcionários. Para receber a grana,
você só precisa efetuar um depósito para pagar as
custas do processo. Pronto, dançou. Quando ligar para solicitar
informações, todo o esquema foi desmontado.
16
- Aposentados - Pessoas que se dizem funcionários de associação
de servidores aposentados abordam velhinhos na saída de bancos,
agremiação de categorias e até mesmo na casa do
pensionista. A história convence quando o malandro revela que
o aposentado tem direito a receber reajustes atrasados. Para agilizar
o processo, basta que ele faça um depósito de 10% do valor.
Por exemplo: promete-se R$ 30 mil e exige-se o depósito de R$
3 mil. O dinheiro novamente evapora.
17
- Extravio de cartão de crédito - A pessoa rouba do carteiro
ou da caixa de correspondência da residência as cartas de
banco com o cartão de crédito. Eles são clonados
e depois enviados ao proprietário, que nem desconfia até
receber o primeiro extrato. O golpista ainda telefona para a vítima
passando-se por funcionário do banco pedindo que ela confirme
o número da senha.
18
- Salário tentador - Os folhetos são distribuídos
na rua. As chamadas são atendidas por uma secretária eletrônica
ou por alguém que se diz de uma central de recados. Oferecem
trabalho para ser feito em casa por salários na faixa de R$ 3
mil. Pedem que a pessoa mande um cheque para custear despesas postais
e pagamento de matéria-prima e apostilas que irão ensinar
o serviço. Após fazer o depósito, a vítima
não consegue mais contato com os falsários porque o telefone
de contato era falso.
19
- Emprego - O estelionatário descobre o endereço ou o
telefone de uma pessoa desempregada e entra em contato dizendo que ela
foi indicada para uma vaga. O salário é bom, R$ 2 mil.
O golpista dá o endereço da falsa empresa e diz para o
candidato depositar R$ 500 para a compra dos uniformes, de verão
e de inverno, que serão entregues à vítima no dia
em que ela supostamente começar no emprego. O fim é sempre
o mesmo, você já sabe.
20
- Carro novo baratinho - O empresário paulista Ronald Kuntz,
dono da Brasmarket, empresa de pesquisa de mercado, por pouco, muito
pouco, não caiu em um desses golpes muito bem montados com a
ajuda da tecnologia. Kuntz procurava uma perua Blazer e a encontrou
em um anúncio de classificados de jornal por um preço
bastante atrativo. "Bem abaixo da tabela na época",
conta. Ele ligou para o número de celular anunciado e, depois
de alguma conversa, os salafrários o passaram um telefone fixo
para que Kuntz mandasse um fax com cópias da maioria de seus
documentos pessoais. O empresário teria também de depositar
um sinal para fechar o negócio em uma conta corrente. Se o carro
custava R$ 40 mil, por exemplo, ele teria de depositar R$ 4 mil. Kuntz
disse que ia pensar e ficou de ligar no dia seguinte. Foi a sua sorte.
Com o desconfiômetro ligado, ele pediu para ver o veículo
antes de depositar o valor. Insistiu, insistiu e começou a perceber
que os golpistas começaram a enrolar. Enrolaram tanto que desapareceram
da face da terra. Depois, todas as vezes que ele tentou ligar para o
telefone do anúncio, uma voz eletrônica dizia que aquele
número não existia. Era mais um golpe e, graças
a intuição e bom senso, o empresário escapou.
21-
Bônus - O estelionatário entra em contato com quem já
foi cliente de uma companhia seguradora, dizendo que a pessoa tem direito
a receber um bônus. A polícia acredita que quem passa essas
informações são funcionários ou ex-funcionários.
Em troca, ele pede 5% do valor total. Nesse caso, o depósito
bancário é efetuado e o beneficiário fica feliz
da vida, entregando o dinheiro. O problema é que o depósito
da vítima foi realizado por meio de um cheque roubado, que acaba
sendo estornado.
22
- Proteção policial - O malandro liga se dizendo delegado
e oferece segurança extra para o cliente, em geral proprietário
de um comércio, se ele fizer um anúncio na revista da
corporação. Interessado no serviço, o incauto paga
para o falso delegado. Já aqueles que dizem não, obrigado,
passam a receber ameaças por telefone.
23
- A vizinha que avaliava jóias - O golpe mais recente foi aplicado
por uma ex-moradora do Edifício Chopin, um dos endereços
cariocas mais badalados do Rio. A comerciante Vívian Gomes Borges,
29 anos, foi presa em 3 de setembro acusada de sumir com jóias
de vários moradores. Aproveitando-se do fato de que os interessados,
pessoas da sociedade carioca, precisavam de dinheiro mas não
queriam se expor publicamente para vendê-las, ela pegava as peças
a pretexto de avaliá-las e sumia. Ao ser pressionada, Vívian
alegava que tinha sido assaltada e não tinha como arcar com o
prejuízo. Uma das moradoras teve 14 jóias, entre anéis,
relógios, pulseiras e cordões de ouro com brilhantes,
roubadas.
24
- Arara - O golpista abre uma firma fantasma em endereço alugado
e começa a comprar produtos de uma empresa qualquer. Os primeiros
pagamentos são feitos corretamente e os pedidos aumentam. O último
pedido é fenomenal. Animado com o novo comprador, o empresário
manda entregar a grande compra na "empresa" do oportunista
e facilita o pagamento. Só que o depósito, dessa vez,
é feito com cheques roubados.
25
- Prestador de serviço - Na maior parte das vezes, os bandidos
se disfarçam de carteiros, leitores de luz e funcionários
de telefônicas para entrar em casas, condomínios e prédios.
Para evitar golpes como esse, a empresa responsável pelo sistema
telefônico da cidade de São Paulo, por exemplo, por ordem
da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel),
avisa que os funcionários não são autorizados a
fazer reparos no interior das casas dos assinantes do serviço.
26
- Boa noite, Cinderela - Para roubar, o criminoso mistura remédio
para dormir na bebida da vítima, geralmente em bares. Foi lançado
nos anos 90 e era praticado, em geral, contra homossexuais. Agora, as
mulheres também são vítimas. Quando a pessoa está
desacordada, ele saqueia a casa ou a carteira e a vítima só
vai perceber no dia seguinte que foi roubada.
27
- Cartão "engolido" - O golpista introduz uma armadilha
na máquina de atendimento para impedir a saída do cartão
do banco. Depois de observar a senha da vítima e de esperar a
saída dela da agência, recupera o cartão, saca o
dinheiro e foge. Por isso, sempre que a máquina engolir o cartão,
cancele-o na hora.
28
- Falso mecânico - O golpista inventa um defeito no automóvel
da vítima que está trafegando nas ruas ou pede para o
motorista parar por causa de uma "estranha fumaça".
Há casos, por exemplo, de pessoas que colocaram sacos de estopa
no escapamento do carro. Na seqüência, surge um falso mecânico,
que se oferece para resolver o problema que não existia. O escolhido,
claro, morre com uma grana.
29
- Celular - É bem manjado, mas continua acontecendo. A pessoa
entra no caixa 24 horas e, ao tentar tirar dinheiro, o cartão
fica preso na máquina. O golpista, que já estava ao lado,
entra falando no celular, fingindo estar com o mesmo problema. Na linha,
um falso atendente e comparsa do malandro registra a senha da vítima
e o dinheiro, adivinhe? Desaparece.
30
- Boa aparência - O ladrão rouba um carro de boa marca,
de preferência importado, veste-se bem, com terno e gravata e
buzina na portaria de um prédio chique e, com pose de bacana,
entra tranqüilamente na garagem, já que o porteiro não
desconfia do "patrão". Aperta a campainha e faz a festa.
31
- Corretor de imóveis - Outra versão para assaltar casas
e apartamentos. O vigarista se faz passar por corretor e, ao lado de
um cúmplice travestido de cliente, consegue autorização
do porteiro para entrar no prédio e visitar o imóvel.
Ele tem as informações sobre o imóvel, pois ligou
antes para a imobiliária. E aproveitam para bater no vizinho...
32
- Entregador de pizza - É um dos mais freqüentes e têm
variações como entregador de flores e carteiro. O falso
entregador consegue chegar até a guarita do prédio, rende
o porteiro e libera a entrada para os comparsas.
33
- Importado a preço de banana - O malandro aborda a vítima
na rua e diz que precisa vender um aparelho de som importado para pagar
a maternidade da mulher, que está prestes a dar à luz.
A oferta é tentadora e o apelo emocional irrecusável.
Dizendo-se apressado, afinal a mulher vai parir, o espertinho força
que o negócio seja feito na hora. Quando o incauto abre a caixa
do aparelho, novinha e bem fechada, encontra um saco de areia.
34
- Cota premiada de consórcio - Por intermédio de anúncios
em jornais e revistas, o estelionatário se diz interessado em
vender cotas sorteadas de consório com preços abaixo do
mercado. A vítima deposita uma taxa em uma conta corrente ou
um adiamento. E nunca mais vê o dinheiro.
35
- Teclado bloqueado - É aplicado nos caixas eletrônicos
em que não é necessário introduzir o cartão.
Eles bloqueiam o teclado com uma fita adesiva para que o correntista
não possa fazer nenhuma operação após passar
o cartão no leitor óptico. Aparece, então, o golpista
oferecendo ajuda e pede que a senha seja digitada. Como não acontece
nada, a vítima vai embora. Então, o malandro desbloqueia
o teclado e saca o dinheiro.
36
- Troca de cartão - O espertalhão fica próximo
ao caixa eletrônico para escolher as vítimas que se atrapalham
ao usar a máquina. Ele se oferece para ajudar, pede que a pessoa
digite a senha e memoriza os números. Quando devolve o cartão,
troca-o.
37
- Falsas ações - Os trambiqueiros se fazem passar por
empresários, andam de carros importados e se hospedam em hotéis
de luxo para impressionar as vítimas e fazer contatos profissionais.
Levantam o nome de pessoas que possuíam ações de
empresas de diversos ramos, ativas ou não. Depois entram em contato
com elas dizendo que um representante da firma deles irá procurá-la
para conversar, já que uma empresa internacional quer comprar
as ações. Depois do primeiro encontro, o golpista diz
que o negócio só pode ser fechado se a vítima comprar
mais um lote de ações para vender um pacote fechado aos
gringos. Os novos papéis são falsos e a vítima,
claro, só poderá reclamar ao bispo.
38
- Violino - O golpista penhora o instrumento (pode ser outro objeto)
em uma agência por R$ 200 e implora que não seja vendido,
porque, na semana seguinte, voltará para resgatá-lo. Passados
um ou dois dias, um parceiro do estelionatário, com pose de bacana,
vai até o penhor e pergunta o que o vendedor tem ali de mais
nobre. O segundo vigarista aponta o violino e diz que paga o preço
que for. O vendedor pede para ele voltar na semana seguinte. Acreditando
que pode fazer um belo negócio, compra a peça penhorada
por um valor acima do que ela vale e, claro, mica com o violino.
39
- Compra de kit - Uma empresa, que se diz estrangeira, coloca anúncios
em jornais prometendo aos incautos que a partir de um investimento de
R$ 100 na compra de um kit para "cuidar" de uma colônia
de lactobacilos, seria possível faturar R$ 3 mil. Segundo essa
empresa, os lactobacilos seriam usados na produção de
cosméticos em outro país e o Brasil teria sido escolhido
por ter mão-de-obra barata. As primeiras pessoas receberam o
dinheiro para fazer propaganda boca a boca do negócio da China,
mas as outras milhares...
40
- Cheque resgatado - O golpista fica de olho em mulheres que entram
em cabeleireiros e lojas. O bandido espera a pessoa sair e entra no
estabelecimento, se apresenta como motorista da vítima, e diz
que a patroa se enganou ao fazer cheque, dando um outro (roubado) em
troca. O dono do salão ou da loja entrega o cheque bom e fica
com o falso. Outra versão do golpe é o picareta trocar
o cheque por dinheiro e alterar o valor de R$ 50 para R$ 500.
41
- Aliança - O vigarista derruba uma aliança no chão
e fica por perto. Uma pessoa a encontra e o golpista chega perto para
dizer que achou a outra e oferece por uma pechincha. Sem desconfiar,
a pessoa compra bijuteria por preço de ouro.
42
- Bilhete premiado - O estelionatário finge ser uma pessoa humilde
e ingênua, com um bilhete premiado nas mãos, falso, é
claro. Com lábia, o falso matuto vende o bilhete fajuto para
o otário da hora.
43
- Telefone - Alguém liga para a casa da pessoa se dizendo funcionário
do banco em que ela tem conta. Não se sabe como ela descobre
a data do aniversário e a agência da vítima. Com
uma boa conversa, o golpista convence o correntista a digitar, no aparelho
de telefone, a senha do cartão magnético. Já viu,
não é? Adeus dinheirinho da conta corrente.
44
- Consórcio premiado - Anuncia-se a venda de consórcios
sorteados. De carro, casa, equipamentos eletrônicos etc. O vigarista
anuncia dois telefones: um fixo que funciona como fax e um celular pré-pago
ou roubado. Pelo fax, ele passa o xerox de seus documentos pessoais
e deposita uma taxa em uma conta aberta (com nome falso) para garantir
o negócio. Feito isso, os telefones não mais atendem e
o veículo jamais é entregue.
45
- Falso vendedor de passagens - O malandro entra em ação
vendendo passagens com desconto. O bilhete, claro, é falso. Mas
o golpe é bem planejado e muitos usam o uniforme das empresas
de transporte.
46
- Pechincha - O estelionatário aborda a vítima e oferece
um equipamento eletrônico pela metade do preço. Finge que
vai buscar o equipamento, que estaria guardado no carro, pega o dinheiro
e some. Ou entrega um pacote com tijolo dentro.
47
- Sujeira - Um malandro esbarra ou deixa cair alguma substância
na roupa da vítima. Um segundo se oferece para ajudar na limpeza
e, como a vítima se distrai, o primeiro aproveita para bater
a sua carteira.
48
- Rodoviária - As vítimas são pessoas ingênuas
que voltam para a cidade natal com dinheiro vivo. O golpista senta do
lado da pessoa no ônibus e puxa conversa. Em pouco tempo, descobre
de onde é a pessoa e diz que também é de lá.
Ele conta que está carregando cheques, que precisa pagar uma
encomenda no caminho e pede para o "conterrâneo" fazer
um empréstimo, garantindo que ao chegarem devolverá a
quantia. Na parada seguinte, desce do ônibus e some.
49
- Falso padre - Perto de igrejas o larápio se veste de padre,
e, quando os fiéis estão a caminho de casa, os aborda
e se oferece, com uma lábia convincente, a benzer a casa da vítima
por uma módica quantia.
50
- O Golpe da solidariedade - Nílson Pereira José Venâncio,
empresário paulista, caiu duas vezes no mesmo golpe. "Eu
estava parado em um semáforo quando um homem com as mãos
sujas de graxa bateu no vidro. Garoava e notei que ele havia deixado
carro com o capô aberto em cima da calçada. Ao lado do
carro, tinha um mulher carregando um bebê. Ele me disse que estava
sem dinheiro e sem cartão e me pediu R$ 30 para tirar a mulher
daquela situação. Depois pediu meu telefone e a minha
conta para depositar o dinheiro no dia seguinte. A outra vez aconteceu
no aeroporto. Esperava o motorista da empresa quando um cara se aproximou
e disse que tinha acabado de chegar, mostrou uma passagem, que tinha
de ir para casa. Exibiu o cartão do banco com uma ponta quebrada,
disse que precisava de R$ 20 e que no dia seguinte faria um cheque avulso
no banco e devolveria o dinheiro. Agora, vou desconfiar até da
minha sombra. Se alguém estiver em dificuldade de verdade, vai
pagar por essas pessoas, pois não ajudo mais ninguém.
Fonte:
Autor Desconhecido
