DEFESA
CONTRA ESTUPRO PARA MULHERES
Em
primeiro lugar, a maioria dos cursos de defesa pessoal trata especificamente
das técnicas e do condicionamento físico sem ressaltar
a importância do condicionamento emocional para enfrentar a situação
de violência.
O marginal escolhe sua vítima através de uma análise
entre o risco e o benefício em atacar determinada vítima.
Ele observa:
-
A maneira com a pessoa se veste, por exemplo, uma mulher de calça
jeans apertada levará mais tempo para consumar o estupro do que
uma mulher com saia;
- O penteado da pessoa, fica muito mais fácil dominar
uma mulher com cabelos compridos ou com rabo de cavalo do que uma mulher
com cabelo curto;
- O local e horário da abordagem, preferecialmente vias
de pouco movimento em horários com pouca atividade;
- A desatenção da vítima, ou seja, se está
conversando em um celular, lendo um livro, etc., ficando mais fácil
a abordagem.
O modo de atuação do marginal envolve 5 etapas distintas:
-
Ele precisa abordar a vítima, neste caso, o elemento surpresa
é sua maior arma, já que escolherá o melhor local
para isto;
- Imobilizará a vítima, principalmente psicologicamente,
para evitar que ela faça uma reação;
- Alcançará o objetivo, ou seja, cometerá
o estupro;
- Escala ou desescala a violência, é o momento onde
o marginal libera, parte para a violência sexual ou mata a vítima;
- Foge.
Pensando
no aspecto de segurança a melhor defesa pessoal é evitar
ser escolhida como vítima, ou seja, agir de forma preventiva.
Desta
forma é importante:
TER
ATENÇÃO - evite ocupar as duas primeiras filas dos
semáforos e não se esqueça proteja sempre o lado
do condutor do veículo; 50 a 60 metros antes dos semáforos
já reduza a marcha e deixe os apressados ultrapassarem, procure
ainda transitar nessa marcha reduzida, com o lado do condutor (motorista)
bem próximo de outros veículos que estejam estacionados
em via pública, caso não exista local para estacionamento
de tais veículos, ande o mais rente (próximo) possível
do meio-fio (guia), de tal forma o condutor estará evitando que
uma motocicleta emparelhe ao seu lado, o ocupante exiba arma de fogo
e determine a sua parada. A abordagem fica mais difícil quando
mudamos pequenos hábitos. Utilize carros com película
de insufilme para dificultar a percepção das pessoas que
estão dentro do carro.
NÃO
OSTENTAR - correntinhas, relógios, braceletes, relógios
ou jóias; não carregue objetos de valor, grande quantia
em dinheiro, tenha uma carteira para enganar o marginal, ande sempre
com cédulas nessa carteira, pois a inexistência de cédulas
na carteira pode causar raiva do marginal, podendo ocasionar lesões
corporais ou até mesmo a morte da vítima. Mantenha bolsas
e notebooks no porta-malas. Não deixar no carro, mesmo por pouco
tempo, pessoas ou animais domésticos;
ESTEJA
PREPARADA - Não pare para discutir "batidinhas",
principalmente à noite, os ladrões fazem isso de propósito
para assaltá-la. Em caso de pneu furado, somente providencie
a troca em local seguro, ainda que distante, mantendo portas e vidros
fechados, evitando sempre que possível, o auxílio de estranhos.
NUNCA
ACEITE CARONAS - mesmo que a pessoa seja conhecida.
CASO
SUSPEITE QUE ESTÁ SENDO SEGUIDA, atravesse a rua e entre
em algum estabelecimento movimentado para buscar ajuda;
PROCURE
SEMPRE CAMINHAR NO CENTRO DA CALÇADA E CONTRA O SENTIDO DO TRÂNSITO.
É mais fácil de perceber a aproximação de
um veículo suspeito. Caminhando no centro da calçada você
estará evitando passar próximo aos portões das
casas, muitas destas casas podem estar abandonadas e estar servindo
de abrigo para marginais e desocupados que podem puxar a vítima
para dentro da casa e molestá-la sexualmente, roubar seus pertences
e até mesmo praticar um homicídio.
PROCURE ALTERAR OS TRAJETOS E HORÁRIOS DE CAMINHADAS,
utilize um grupo de pessoas, evite caminhar sozinha;
EVITE
ACOMPANHAR O MARGINAL, se ele quiser matá-la ou estrupá-la
não o fará em público, estará nas mãos
de um bandido sem piedade e pior, sozinha.
DIZ
UM DITO POPULAR QUE: "O BOM OBSERVADOR É AQUELE QUE OBSERVA
SEM SER OBSERVADO", é o caso típico do criminoso,
o qual fica a espreita de suas vítimas, geralmente, onde há
pouca circulação de pessoas em via pública e em
algumas vezes atua de carro, está bem vestido e surpreende a
vítima.
NÃO
UTILIZE APARELHOS SONOROS COMO IPOD, DISC-MAN OU WALK-MAN OU CELULAR,
pois os sentidos mais apurados do ser humano são a visão
e audição constituindo mecanismos preventivos;
SELICIONE CRITERIOSAMENTE AS PESSOAS QUE LHE PRESTAM SERVIÇOS,
muitos dos casos de violência relatados são de pessoas
que trabalharam determinado tempo com a vítima, conhecendo sua
rotina diária. Não descuide das chaves de sua casa/trabalho,
para que não "desapareçam" ou façam cópias;
NÃO ATENDA A PORTA SEM VERIFICAR DE QUEM E DO QUE SE TRATA;
MARQUE HORA COM PESSOAS QUE FARÃO SERVIÇOS EM SUA RESIDÊNCIA,
procurando nunca estar sozinha nestas situações;
DOSE
A BALANÇA ENTRE O CONFORTO E A SEGURANÇA - é
muito confortável receber uma pizza em seu apartamento ao invés
de buscar na portaria do prédio, porém, o risco de ser
atacada também é maior;
EVITE
PASSAR INFORMAÇÕES SOBRE AS PESSOAS DA CASA PELO TEFEFONE
TAMBÉM ORIENTANDO AOS EMPREGADOS;
NÃO
ATENDA A PORTA SEM VERIFICAR DE QUEM E DO QU SE TRATA, sua empregada
acaba de sair de casa, é natural pensar que a pessoa a porta
é ela, porém, um marginal pode tê-la abordada e
quer entrar em sua residência;
NÃO
ECONOMIZE EM SEGURANÇA, deixar o carro na rua e andar algumas
quadras para não pagar um estacionamento caro em um evento ou
barzinho se achando muito "esperta" é ilusório.
Ao sair de madrugada do local, pode ser seguida, roubada, estuprada
ou morta;
O
MARGINAL PODE NÃO QUERER APENAS SEU DINHEIRO, MAS SIM, SEU CORPO
OU SUA VIDA. Muitos dos casos de violência começaram
com um roubo, porém, o marginal pode aproveitar que está
sozinho com a vítima e mudar sua intenção para
cometer uma violência sexual. Outras situações relatadas
mostraram surtos psicóticos que levaram o marginal a matar a
vítima;
DENUNCIE
A VIOLÊNCIA EM SUA PRÓPRIA CASA. Aceitar passivamente
que seu companheiro a agrida e não relatar a agressão
é muito comum.
·
89% das agressões contra a mulher ocorre dentro da própria
família ou pessoas do seu convívio diário.
· As mulheres que sofrem violência são de todas
as raças e classes sociais.
· Somente 1/3 da violência contra a mulher é denunciado.
A
vítima evita relatar a agressão com medo:
·
Da vergonha que ira passar frente a seus amigos, familiares e em sua
comunidade. Muitas mulheres de classes média e alta não
denunciam para preservar seu "status" e por terem medo de
escândalos.
· Por achar que foi a culpada pela agressão;
· Pelo medo de retaliações do agressor;
· Por depender financeiramente do agressor;
· Pelo constrangimento de ir a uma delegacia e relatar a desconhecidos
seu drama e de ter de passar por exames médicos invasivos;
· Pela falta de credibilidade em nossas instituições,
acreditando apenas na impunidade do agressor.
Todos estes argumentos só servirão para a continuidade
das humilhações e agressões e o terror que terá
que passar ao lado de uma pessoa, que em algum momento pode tirar até
mesmo sua vida. Existem delegacias especializadas no atendimento a mulheres.
A
REAÇÃO DEVE SER RÁPIDA E DETERMINADA. Não
reagir, como dito no tópico acima, não é uma garantia
que o marginal não faça nada com a vítima. O importante
é observar a intenção do marginal e caso perceba
que seu objetivo não é apenas seus bens, você deve
fazer uma reação. Não há outra alternativa!
NÃO
DESISTA NUNCA. O marginal quer imobilizar a vítima física
e psicologicamente. É comum um primeiro golpe para causar medo.
Quando isso acontece, as mulheres ficam paralisadas de uma maneira geral,
procurando não reagir com medo de se machucarem mais. Paralisar
é a pior coisa que você pode fazer. O elemento surpresa
agora é da vítima que pode apenas simular paralisia e
mudar rapidamente sua atitude passiva para uma atitude de ataque;
TRANSFORME
O MEDO EM RAIVA. O senso comum de não reagir é uma
praga arraigada em nossa sociedade. Não reagir é dar ao
marginal o domínio da situação, tirando qualquer
chance de sobreviver caso sua intenção seja tirar sua
vida. Você esta sendo treinada para se tornar uma vítima.
Transformar medo em raiva, não é atacar cegamente e sim
transformar paralisia em ações.
Texto
Ricardo Nakayama
