Faca – Arma de Defesa – Pedro Cavalcanti

Hoje, tive a infelicidade de ler um email, enviado ao Sotai, onde um colega da área de treinamento de defesa pessoal e segurança, nos acusava de sermos pessoas “com muito MEDO, com uma certa incapacidade para tratar situações corpo a corpo, onde se vê incapaz, inseguro, visualiza derrota, e por isso usa do expediente da arma”.
Será que não podemos dizer o mesmo sobre um soldado que irá para uma guerra? É claro que não, isso seria ridículo! O objetivo único do soldado em combate é vencer pois ser derrotado significa ser morto. Nem nos conflitos mais antigos da raça humana, soldados guerreavam desarmados. Ah…mas então soldados são medrosos, incapazez e inseguros e por isso usam seus fuzis como uma “muleta psicologica para o pseudo poder”.
Foi baseado em essas e outras palavras profundas, além de análises psicológicas, presentes em tal email, que levantei a seguinte questão:

Por que decidi usar a faca como meu principal meio de defesa pessoal??

Acho que a resposta é muito simples e obvia. Assim como um soldado, quando eu estiver em combate, meu objetivo único será vencer … e viver. Eu não me importo se para isso precisarei enfiar meus dedos no olho do inimigo, utilizar uma barra de ferro, meu carro, um fuzil AR-15 ou um simples canivete. Então por que escolher treinar com facas? Simples, uma faca ou um canivete, é a mais prática das opções. Diferentemente das armas de fogo, não necessitam de porte, existem em diversos tamanhos sendo fáceis de transportar e ocultar, são ferramentas multiuso sendo úteis do escritório ao camping, podem ser charmosos, sofisticados e até peças de arte e colecionismo, mas acima de tudo são extremamente versáteis e eficazes como armas para defesa, me permitindo utilizá-las em qualquer nível de violência. Podem ser usadas em pontos de pressão (canivete fechado ou cabo de uma faca), para lidar com bêbados inoportúnos por exemplo, ou talvez como arma de impacto, quando seu inimigo ainda não apresenta-se como uma ameaça à sua vida, ou então como uma arma perfuro-cortante, quando a ameaça iminente atinge um nível mais alto de violência, sendo eficaz tanto para efetuar um desarme como para provocar morte imediata do agressor. Para completar o motivo de minha escolha, o treinamento para defesa com facas, desenvolve uma enorme capacidade de adaptação, possibilitando utilizar-me de qualquer objeto perfuro-corto-contundente (caneta, tesoura, celular, etc) como uma ferramenta para salvar minha vida.

O que parece escapar à percepção do colega mencionado acima, é que não tenho a menor intenção de utilizar uma faca para desafiar gangues de pit boys pelos bares da cidade ou lutadores de vale tudo e afins. Meu único intento é tentar sobreviver à extrema violência presente na realidade paulista e brasileira na atualidade.

Texto Pedro Cavalcanti