Qual a Melhor Arte Marcial? – Ricardo Nakayama

“Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”

Existem centenas de artes marciais diferentes ao redor do globo, elas existem desde tempos remotos e novas artes são fundadas todos os anos, cada qual com suas características e peculiaridades que atendem a gostos, objetivos ou expectativas próprias de cada praticante. Algumas pessoas buscam a defesa pessoal, outras sua filosófia de vida, um caminho para iluminação, apenas competir e outras tantas motivações.

As artes marciais surgiram da necessidade de sobreviver do ser humano e suas técnicas são tão variadas que existem estilos que dizem ter mais de 10.000 golpes diferentes: socos, chutes, cotoveladas, joelhadas, cabeçadas, chaves de braço, projeções, quedas, golpes com a palma da mão, dedos, mordidas, pontos de pressão, manejo de armas, etc.

Podemos dividir as artes marciais em 4 grandes grupos:

Tradicionais – A maior parte das artes marciais se enquandram neste grupo, como representantes podemos citar o Karatê, Kung Fu, Aikido, etc. Em geral, a maioria tem mais de 50 anos de história, a figura de um fundador ou patriarca, as vezes envolvida em fatos lendários. Algumas buscaram sua inspiração na natureza ou em animais, outras evoluiram de uma arte guerreira para uma arte espiritual. Boas academias não treinam apenas as técnicas, mas desenvolvem autoconfiança, respeito, cortesia e outras qualidades, agregando uma filosófia de vida aos seus praticantes.

Esportivas – Os praticantes buscam a excelência e o reconhecimento, participando constantemente de competições. Alguns tradicionalistam julgam que a perda no foco marcial, torna as artes meros esportes. Existem competições de formas (rotinas de defesa e ataque), lutas, quebramentos, etc. Algumas modalidades fazem parte das Olimpíadas ou conseguem organizar eventos a nível mundial. Os atletas destas modalidades têm grande dedicação e se submetem a treinamentos intensos. Os eventos esportivos, principalmente de “Vale Tudo” tem gerado grande interesse no público e bolsas milionárias, principalmente na categoria dos pesos pesados do boxe.

Defesa Pessoal – O objetivo deste grupo é ensinar a seus praticantes a enfrentar situações de violência. É um dos grupos que apresenta maior proliferação de novos estilos. O chavão acaba sendo muito semelhante entre as diversas escolas: “a melhor forma de se defender”, “aprenda a se defender no menor tempo”, “sua arma contra a violência”, “simplicidade, rapidez e efetividade”, “não há regras, apenas a vitória” e por aí vai. As técnicas são aplicadas em situações de risco e de preferência no pior cenário possível. A maior parte destes estilos não tem competições, o que é coerente pela falta de regras, mas deixa margens sobre o quão eficiente realmente eles são.

Terapeuticas – o foco é a qualidade de vida, apregondo mais saúde, disposição, autocontrole, alívio do “Stress” e crescimento espiritual. Não por isto deixam de ser respeitadas para defesa pessoal, tendo um bom conceito com o Aikido, que também é conhecido como o caminho da harmônia. Muitas destas práticas fazem exercícios de manipulação do Chi ou Ki (energia vital), buscando o reequilíbrio energético no ser humano, como exemplo temos o Tai Chi Chuan, que é muito bem aceito, principalmente pelos praticantes da terceira idade.

A maior parte dos curiosos sobre artes marciais acabam repetindo a mesma pergunta:

Qual a melhor?

Depende dos seus objetivos e gostos pessoais, que mudam de acordo com nossas expectativas, inclusive com o passar do tempo, outros objetivos e expectativas surgem.

Uma pessoa mais nova pode ficar encantada com os chutes voadores do Taekwondo (gosto pessoal), já um idoso pode se sentir “enferrujado”. Um empresário pode entrar em uma academia de Jiu-Jitsu, após ver um lutador desta modalidade vencer um Vale Tudo, outro pode detestar luta de solo. Uma mulher pode procurar uma academia de Hapkido visando defesa pessoal, outra se identificará mais com o Karatê, por exemplo, ou seja, não há uma receita ou fórmula mágica. O ideal é visitar a academia, acompanhar a aula, conversar com o professor, avaliando principalmente 2 pontos importantes:

1) É o que eu procurava? Deve atender a seus objetivos e gostos pessoais.

2) O professor é qualificado a me ensinar? Avaliar o professor é a garantia de qualidade no treinamento e preservação da sua integridade física e saúde.

“Não há conhecimento sem prática, pois se torna apenas contemplação”

“Não há prática sem conhecimento, pois se torna apenas repetição”

Texto Ricardo Nakayama